Autor: Marcos F C Porto – Terapeuta Holístico – CRT 44432 na modalidade Psicoterapia Holística Transpessoal
A maioria de nós foi ensinada na infância, seja pela família, na escola ou religião, a negar e recusar o que é conhecido como sendo as emoções negativas.
Nossos pais na sua maioria colocam a raiva como estando nesta categoria, nos orientando para não expressar raiva diante de situações de contrariedade, mas ao invés disso ficar calmo. Da mesma forma nossos pais nos orientam a não chorar, e negar os sentimentos de dor e de mágoas. Estes tipos de condicionamentos na maioria das vezes são dirigidos mais aos meninos, que são ensinados de que ‘meninos não choram’.
Como resultado deste tipo de orientação, muitos de nós formamos um condicionamento de que sentir raiva, dor ou mágoa são emoções negativas e impróprias e então assumimos formas de negação destes sentimentos, dizendo toda vez que acontece conosco que: “Não estou com raiva – não estou bravo”, quando estamos com raiva, ou “Isto não doe” – “Isto não tem importância” quando nos machucamos ou nos magoamos.
Assim agora como adultos nossa atitude é de reprimir estes sentimentos e que como sabemos a não expressão da raiva conduz a culpa e a culpa poderá conduzir ao estado depressivo. Está comprovado que pessoas em estado depressivo, na sua maioria não conseguem expressar a raiva. Quase sempre quando essas pessoas são solicitadas a expressarem a raiva, dizem que estão sendo tratados injustamente e respondem: “Não estou com raiva, estou só triste com o que está acontecendo!” Esta é uma forma de deslocar a raiva para ressentimento, indignação ou desencorajamento.
É importante destacar que a raiva sendo reprimida, bloqueia a nossa habilidade de perdoar. Muitas vezes nós racionalmente entendemos a importância do perdão através de leituras e reflexões, mas nos sentimos incapazes de perdoar.
No entanto se conseguirmos expressar a raiva para a pessoa que queremos perdoar, e viver o sentimento desta raiva, emocionalmente entramos em uma mudança, como se fosse trazer o fundo de um ‘iceberg’ para a superfície.
Desta forma livramos nosso emocional para poder perdoar. Este aspecto do nosso emocional pode parecer uma contradição, ou seja, quando aceitamos inteiramente a raiva, a partir de então estaremos em mais condições de lidar construtivamente, do que quando nos mantemos reprimidos. Assumindo nossa raiva, ela poderá desaparecer ou diminuir em intensidade, dando lugar a emoções mais amenas e confortáveis.
É importante reconhecer, entretanto, que nós naturalmente temos um potencial para a raiva e é bom conscientizar e reconhecer este sentimento ao invés de fingir que não existe. Sendo reconhecida, a raiva então será um sentimento que iremos lidar com ela.
Para ilustrar a transição entre o estímulo, a criação e formação da imagem de acordo com nossa percepção, vamos considerar o que é emoção. Emoção é a consciência integrativa entre nosso organismo e o ambiente, ou seja, é a parte mais próxima das várias combinações de nossa percepção.
É possível da parte do nosso organismo poder demonstrar esta relação com algumas experimentações. Através de exercícios musculares é possível mobilizar algumas combinações específicas do nosso comportamento corporal, gerando certas excitações como, por exemplo: retesar ou descontrair o maxilar da face; fechar as mãos enrijecendo os pulsos; capturar o ar abruptamente pela boca.
Ao acrescentarmos a influência da nossa percepção com o ambiente do que está acontecendo ao nosso redor, estes mesmos exercícios musculares só se manifestam quando nossa emoção se manifesta, ou seja, só sentimos raiva a partir de termos fechado as mãos e enrijecido os pulsos, ou termos retesados o maxilar.
O MODELO ‘ICEBERG’
Como a imagem do ‘iceberg’ é desconhecida para nós, será importante poder descrevê-la para formarmos a idéia correta: é normal para nós seres humanos trazermos conosco a capacidade de experimentar uma quantidade grande de emoções, sentimentos e comportamentos, alguns sendo contrários a outros que também estão conosco.
Então nós somos uma composição de tudo isto! Muitas vezes o que está na superfície de nossas aparências de bonzinhos - boazinhas não corresponde à verdadeira expressão do que somos. Por quê? Com o tempo de nosso crescimento físico para a condição de adulto, estes sentimentos contrários ao que aprendemos como modelos de ser, vão ficando ao fundo e o ‘iceberg (ninguém gosta de ser mal) vai avolumando criando uma imensa área não exposta de nós mesmos. No entanto o ‘iceberg’ tem a tendência de rolar n’ água de tempos em tempos, e com isso aparecendo as partes que estavam submersas anteriormente.
O que estamos chamando de sentimentos contrários, tipo – calmo, agitado; alegre, triste; tranquilo, nervoso; amizade, hostilidade; amor, ódio; tolerância, intolerância; otimismo, pessimismo; flexível, rígido; compõem o ‘iceberg’ de cada um de nós, e não podemos disfarçar dizendo que não existem.
O nome mais correto para os sentimentos contrários é polaridades. Representam a composição sentimental emocional interior e íntima dos nossos sentimentos, atitudes, crenças e comportamentos de todos nós seres humanos.
Este fato é visto como sendo a naturalidade do ser humano. As polaridades não são umas contra as outras. Quanto mais tivermos estas polaridades assumidas e integradas em nós mesmos, melhor será o espontâneo do aqui-agora de nossas vidas, ou seja, só seremos autenticamente alegres se soubermos lidar bem com a tristeza conosco. Então o que estará na superfície do ‘iceberg’ é o cristalino do que somos, sem disfarces, fingimentos, hipocrisias.
A raiva então é parte integrante do nosso ‘iceberg’. A polaridade da raiva é a introspecção, sabendo lidar com contrariedades, ter real imagem de quem somos, evitando que qualquer opinião arbitrária a nosso respeito possa nos irritar, estarmos conscientes de nossa individualidade e do que e como podemos ser criativos e produtivos, preenchendo todo nosso potencial, não gerando expectativas ilusórias, as quais irão nos frustrar. A raiva passa por todo este caminho, ou seja, do que não conseguimos fazer acontecer, e da dependência nossa na opinião dos outros, originada nos períodos de infância. Os sentimentos de frustração, confusão, tensão e revolta são os combustíveis da raiva.
Estes conflitos internos nos farão nos sentir mal compreendidos, rejeitados, desapontados, decepcionados, magoados, impotentes.
A raiva então fará com que nos sintamos isolados, sem esperanças e alienados!
A vida tem seu importante aspecto de assumir riscos. Quando entendemos esta dinâmica da vida, outros sentimentos se ligam nesta atitude tais como confiança, dar e receber apoio, compaixão, compreensão e comprometimento com a dinâmica de mudanças. No que recuamos diante dos desafios de assumir riscos nosso ‘iceberg’ rola em si mesmo e entramos em ciclos de perda de apoio, ansiedade e pânico, deixando que o medo seja o sentimento dominador de nós mesmos.
Ansiedade é uma emoção desconfortável, caracterizada por preocupações, apreensões e medo por antecipação.
Caso não tenhamos manifestado na nossa adolescência, nunca é tarde termos consciência dos sentimentos básicos de nossa identidade pessoal: O que é importante e de valor para mim a ser feito? – Quais são meus padrões de condutas na avaliação dos meus comportamentos e também em relação aos comportamentos dos outros? – Quais são meus sentimentos com relação aos meus próprios valores e competência?
Ficam então estes esclarecimentos para reflexão, sabendo que o processo da Psicoterapia Holística Transpessoal tem especial habilidade em abordar e tratar estes comportamentos de forma transformacional, fazendo com que possam nos auxiliar no nosso crescimento pessoal e espiritual.